Imóveis nos EUA à venda para brasileiros. UOL e Exame avaliam o negócio

10/11/2011 - Após a crise econômica provocar o despejo de milhões de norteamericanos e desestruturar o setor imobiliário nos EUA, as imobiliárias dos EUA e do Brasil buscam clientes brasileiros para comprar lançamentos. O site UOL e o Portal Exame produziram duas matérias a respeito sobre as oportunidades de negócio. O NN reproduz as duas reportagens a seguir:

Imobiliárias vendem apartamentos da Flórida no Brasil; veja se vale a pena
UOL – SP – ECONOMIA – 10/11/2011

O crescimento do interesse dos brasileiros endinheirados por casas e apartamentos na Flórida, nos Estados Unidos, tem movimentado o mercado imobiliário naquela região e também no Brasil.

Lá, muitos lançamentos já são divulgados em português em sites e panfletos. Imobiliárias têm enviado representantes ao Brasil para oferecer seus produtos.

O site da Florida Realtors, a associação que reúne os corretores de imóveis, tem um serviço de busca (em inglês) de imóveis à venda no Estado.

Veja Álbum de fotos

Até o governador da Flórida, Rick Scott, veio ao país no mês passado em uma missão para estreitar relações comerciais.

Aqui no Brasil, a Coelho da Fonseca estruturou neste ano uma divisão internacional para ajudar os brasileiros na compra de imóveis fora do país, com destaque para os Estados Unidos.

A imobiliária mantém, em São Paulo, um showroom com maquetes dos empreendimentos à venda naquele país.

O Hamoral Group, que há 20 anos atua na venda de imóveis de luxo no Brasil e no exterior, acaba de fechar uma parceria com o fundo americano ST Residential.

O fundo adquiriu nos bancos uma série de empreendimentos de alto padrão e vai ofertá-los no Brasil por intermédio da Abyara Brokers.

Apesar de 85% dos brasileiros optarem pelo pagamento dos imóveis à vista, segundo os corretores, a oferta de financiamentos para brasileiros tem crescido.

Eles conseguem financiar até 70% do valor do imóvel abrindo conta em um banco local. Os juros, de 5% ao ano nos primeiros cinco anos, são inferiores à média cobrada aqui, de 11% ao ano.

Preços devem permanecer estáveis nos próximos anos
Mas, ainda que todas as atenções estejam voltadas para o comprador brasileiro neste momento, a compra de um imóvel na Flórida não é uma opção interessante para todo mundo.

Para o consultor internacional Marcelo Sicoli, da EnterBrazil, não existe expectativa de valorização nos EUA nos próximos anos, o que faz com que a opção de comprar um imóvel desse tipo como investimento não seja a mais adequada.

“Os preços dos imóveis em Miami estão hoje cerca de 40% mais baratos do que em 2008. Mas a tendência é que eles se mantenham estáveis ao longo do tempo”, diz.

Para Sicoli, os imóveis são mais interessantes para quem tem o hábito de fazer viagens à cidade.

O professor João da Rocha Lima Jr., do Núcleo de Real Estate da Poli-USP, concorda.

“Imóvel de lazer no Brasil custa muito caro. Por conta da questão da segurança, as opções são imóveis em grandes empreendimentos, destinados às pessoas de renda muito alta, que demandam um investimento de quase US$ 1 milhão”, diz.

“Por US$ 300 mil ou US$ 400 mil, é possível comprar imóveis mais convenientes em Miami.”

Mas, mesmo nesse caso, os custos de manutenção do imóvel precisam ser levados em conta. Segundo Sicoli, o imposto cobrado sobre a posse do imóvel, por exemplo, equivale a 2% do valor total. E isso é pago anualmente. Além disso, é preciso arcar com o condomínio.

Imóveis fora de Miami também atraem brasileiros
Portal Exame – SP – SEU DINHEIRO – 10/11/2011
por Julia Wiltgen

Cidades como Las Vegas, Reno e Houston também apresentam descontos e seus imóveis já são oferecidos no Brasil

O estouro da bolha imobiliária e o real valorizado escancararam as portas do mercado americano para investidores brasileiros em busca de pechinchas ou do glamour de ter uma casa fora. O maior alvo da febre é Miami, mas cidades como Nova York, Los Angeles, Las Vegas e até Houston, no Texas, também estão no radar verde-e-amarelo. Pela alta concentração de imóveis que funcionam como segunda residência, essas cidades apresentam descontos ainda maiores que as moradias principais.

Miami, a queridinha dos brasileiros, apresenta descontos que variam de 30% a 40% em relação ao preço máximo antes da crise. Mas a cidade com os maiores descontos é Las Vegas, onde os preços hoje estão de 60% a 70% abaixo do pico alcançado antes do estouro da bolha. “O potencial de valorização é grande em todo o país. Mas é claro que não é possível prever de quanto será, nem quando essa alta vai ocorrer”, diz Wade Hundley, CEO da ST Residential, maior proprietária de condomínios residenciais dos Estados Unidos.

Dona de cerca de 7.000 unidades residenciais para locação ou venda em todo o país, a ST comercializa imóveis de médio e alto padrão, bem localizados, cujos preços variam de 200.000 a alguns milhões de dólares. O preço do metro quadrado de alguns empreendimentos, porém, pode parecer uma piada para moradores de capitais como Rio, São Paulo e Brasília. Não à toa, a maioria dos clientes brasileiros da ST vem dessas cidades.

Em Reno, Nevada, está o metro quadrado mais barato, que custa apenas 1.250 dólares, ou 2.200 reais pelo câmbio da última quarta-feira. Isso é menos do que o preço do metro quadrado na comunidade de Paraisópolis, a região mais barata de São Paulo. Um carioca certamente acharia interessante morar no Havaí, onde o metro quadrado de uma propriedade da ST pode custar cerca de 7.500 dólares, ou 13.300 reais, menos do que a média em bairros como Lagoa, Ipanema e Leblon.

Em Miami, um imóvel em South Beach, a praia mais famosa da cidade, pode custar cerca de 15.000 dólares, ou 26.500 reais. Mas os empreendimentos da ST na capital da Flórida custam entre 3.000 e 8.000 dólares o metro quadrado, ou 5.300 a 14.100 reais, semelhante aos bairros paulistanos mais valorizados, como Vila Nova Conceição e Vila Olímpia.

Primeiro lançamento no Brasil
A ST Residential lançou seu primeiro empreendimento para ser comercializado na terra brasilis nesta semana, um condomínio em South Beach, a duas quadras da praia, cujos apartamentos custam entre 380.000 e 650.000 dólares. Mas a intenção é trazer também outros empreendimentos, mesmo de fora de Miami, entre eles condomínios em Las Vegas e Houston. Para isso, foi feita uma parceria com a Abyara, empresa da Brasil Brokers , e com a Halmoral Group, especializada em vender imóveis para brasileiros em Miami.

Os preços descontados cobrados pelas empresas que vendem esses imóveis a estrangeiros se deve à sua origem na crise. Eles foram arrematados em leilão, após terem sido retomados pelos bancos em razão das hipotecas não honradas. A ST, no caso, foi formada em 2009 com esse propósito, pela união de quatro fundos de private equity dos ramos imobiliário, hoteleiro e de bens de consumo.

A companhia arrematou a carteira de imóveis e empréstimos do Corus Bank of Chicago, resgatado pelo governo americano. Os ativos foram adquiridos por 2,7 bilhões de dólares, mas custaram cerca de 7 bilhões de dólares para ficar de pé. Deste valor, 600 milhões foram injetados pela própria ST para concluir as construções inacabadas. Até hoje, 40% das propriedades arrematadas já foram vendidas.

Os imóveis
Lançado na última terça-feira, o Artécity fica a duas quadras de South Beach, Miami, e tem 138 unidades disponíveis, de um ou dois quartos, de 100 metros quadrados, em média. Como em toda propriedade da ST, as facilidades são fartas, incluindo cozinha planejada com eletrodomésticos, sala de ginástica, duas piscinas, segurança e controle de acesso, estacionamento subterrâneo, valet, lounge e áreas comuns ajardinadas.

“Gastamos cerca de 700.000 dólares só com paisagismo”, diz Wade Hundley, lembrando que é prática da empresa fazer melhorias nos condomínios. Tanto que algumas áreas do Artécity ainda estão em obras. É possível comprar um apartamento até decorado, mas quem optar pela versão “nua” terá de providenciar o piso e a pintura.

A ST aproveitou para apresentar mais dois empreendimentos aos brasileiros. O The Ogden, que fica numa das vias principais de Las Vegas, no centro do Distrito de Entretenimento, e o Mosaic, próximo ao Hermann Park e ao Museum District em Houston. Ambos possuem apartamentos equipados com eletrodomésticos e elementos sofisticados de decoração, além de armários e varanda. Os condomínios contam com uma série de comodidades, como sala de ginástica, sistema de segurança, piscinas, serviço de concièrge e até espaço especial para animais de estimação.

No The Ogden, as unidades têm um, dois ou três quartos, variam entre 75 e 190 metros quadrados e custam a bagatela de 200.000 a 400.000 dólares. Já no Mosaic, as unidades são lofts de um ou dois quartos e área de 62 a 275 metros quadrados, com preços mais salgados – entre 200.000 e 1.200.000 dólares.

Perfil dos compradores brasileiros
Embora tenha começado a vender no Brasil apenas agora, a ST Residential já está acostumada com os clientes brasileiros. No sul da Flórida – onde 85% dos clientes da ST são estrangeiros – os brasileiros já representam 30%, atrás apenas dos venezuelanos e à frente de mexicanos e argentinos. No total, os investidores tupiniquins representam 10% dos clientes da ST.

“São pessoas de alta renda ou classe média alta que buscam tanto investimentos como uma segunda residência”, diz Peggy Fucci, vice-presidente da ST Residential. Ela explica que alguns investidores compram várias propriedades e nunca sequer visitaram os empreendimentos; outros precisam de uma segunda residência por motivos profissionais, para instalar os filhos que vão estudar nos Estados Unidos ou até como casa de veraneio. “Acreditamos que em 2012 os brasileiros passem a representar 20% dos nossos clientes”, acrescenta Peggy.

Como fazer para comprar
O procedimento para comprar um imóvel nos Estados Unidos é mais fácil do que parece. O comprador recebe um contrato em português e faz um depósito de 10% do valor do imóvel. O único documento necessário é o passaporte. O negócio é fechado entre 30 e 45 dias. Se for o caso, o procedimento para financiar é semelhante ao que é adotado no Brasil, e os bancos americanos financiam até 70% do valor restante (após o depósito dos 10%).

Para manter uma residência lá fora também não é preciso pagar impostos, apenas declará-la. A não ser, é claro, que o proprietário ganhe dinheiro com aluguéis ou com a venda do imóvel. Nesse caso, as alíquotas variam de acordo com a renda do proprietário, mas a declaração pode ser feita do Brasil mesmo.

Primeiro lançamento no Brasil
A ST Residential lançou seu primeiro empreendimento para ser comercializado na terra brasilis nesta semana, um condomínio em South Beach, a duas quadras da praia, cujos apartamentos custam entre 380.000 e 650.000 dólares. Mas a intenção é trazer também outros empreendimentos, mesmo de fora de Miami, entre eles condomínios em Las Vegas e Houston. Para isso, foi feita uma parceria com a Abyara, empresa da Brasil Brokers , e com a Halmoral Group, especializada em vender imóveis para brasileiros em Miami.

Os preços descontados cobrados pelas empresas que vendem esses imóveis a estrangeiros se deve à sua origem na crise. Eles foram arrematados em leilão, após terem sido retomados pelos bancos em razão das hipotecas não honradas. A ST, no caso, foi formada em 2009 com esse propósito, pela união de quatro fundos de private equity dos ramos imobiliário, hoteleiro e de bens de consumo.

A companhia arrematou a carteira de imóveis e empréstimos do Corus Bank of Chicago, resgatado pelo governo americano. Os ativos foram adquiridos por 2,7 bilhões de dólares, mas custaram cerca de 7 bilhões de dólares para ficar de pé. Deste valor, 600 milhões foram injetados pela própria ST para concluir as construções inacabadas. Até hoje, 40% das propriedades arrematadas já foram vendidas.

Os imóveis
Lançado na última terça-feira, o Artécity fica a duas quadras de South Beach, Miami, e tem 138 unidades disponíveis, de um ou dois quartos, de 100 metros quadrados, em média. Como em toda propriedade da ST, as facilidades são fartas, incluindo cozinha planejada com eletrodomésticos, sala de ginástica, duas piscinas, segurança e controle de acesso, estacionamento subterrâneo, valet, lounge e áreas comuns ajardinadas.

“Gastamos cerca de 700.000 dólares só com paisagismo”, diz Wade Hundley, lembrando que é prática da empresa fazer melhorias nos condomínios. Tanto que algumas áreas do Artécity ainda estão em obras. É possível comprar um apartamento até decorado, mas quem optar pela versão “nua” terá de providenciar o piso e a pintura.

A ST aproveitou para apresentar mais dois empreendimentos aos brasileiros. O The Ogden, que fica numa das vias principais de Las Vegas, no centro do Distrito de Entretenimento, e o Mosaic, próximo ao Hermann Park e ao Museum District em Houston. Ambos possuem apartamentos equipados com eletrodomésticos e elementos sofisticados de decoração, além de armários e varanda. Os condomínios contam com uma série de comodidades, como sala de ginástica, sistema de segurança, piscinas, serviço de concièrge e até espaço especial para animais de estimação.

No The Ogden, as unidades têm um, dois ou três quartos, variam entre 75 e 190 metros quadrados e custam a bagatela de 200.000 a 400.000 dólares. Já no Mosaic, as unidades são lofts de um ou dois quartos e área de 62 a 275 metros quadrados, com preços mais salgados – entre 200.000 e 1.200.000 dólares.

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